De bate-chapa sobre a referência do Afro House da actualidade "Vado Poster" | Margoso Newspro

 


O que me fez vencer não é a vontade de querer ter alguma coisa no bolso“. Vado Poster integra a geração vanguardista do Afro House e é hoje uma das principais referências do estilo em Angola. Com uma carreira já coroada de êxitos, o DJ e produtor prepara-se para colocar a sua primeira obra discográfica no mercado.

Entre mistérios e curiosidades, Vado Poster apresenta-se nesta entrevista como nunca antes se tinha apresentado para o grande público, descrevendo um percurso desde o futebol, bate-chapa até atingir o estrelato como DJ e produtor.

O artista é um homem de ambições e quase não dorme para ver concretizados seus sonhos, um dos quais 《ser o melhor de Angola》e 《levar o que se faz em Angola a outros mercados, para que músicos de outras paragens também cantem aquilo que se faz no país》.



O nome ‘Vado Poster’ é hoje uma marca no Afro House em Angola. Quem seria Vado Poster se não fosse músico.

Eu acho… na bola dei-me bem (risos), como bate-chapa me dei bem, isso é uma coisa que o people não sabe. Ou na bola ou bate- chapa. Os meus tios têm oficinas e sempre quiseram que os sobrinhos fossem aprender. A paixão pela música sempre viveu em mim.

Começar sempre nunca é fácil, ainda mais num país como nosso, onde tem que lidar com a importação de materiais e com uma imprensa que quase ou nada ajuda. Em algum momento da sua vida pensou em desistir?

Muitas vezes eu pensei em desistir. Todo vencedor passa por esta fase triste e difícil. Houve momentos que, até cheguei a procurar um emprego fora da área que domino, tudo porque as coisas iam de mal a pior. Houve outro momento que eu já não queria mais lançar vídeos, queria mudar o rumo da minha carreira e havia me esquecido que tudo tem o seu tempo. Depois eu cai a real. 

É uma longa história. Como conseguiu contrapor tudo isso e como conseguiu chegar até “aqui”?

O que me fez vencer não é a vontade de querer ter alguma coisa no bolso.

Tudo foi possível, e está ser, graças a firmeza no meu trabalho e disciplina. Eu tenho sentido uma pressão a cada música que faço, então um dia desses quando eu não mais sentir esta pressão, aí eu paro tudo. Porque esta pressão me faz bem.

Em que circustâncias da caminhada começou a acreditar mais em si?

Desde que o projecto “Os Banah” finalizou, senti um grande peso, era como se tivesse perdido um brother. Mas, isso me fez perceber que eu tinha que dar o meu melhor e esses todos sucessos é a prova.

Hoje se tornou no Vado Poster que todos conhecemos. Foi a partir daí que decidiu começar a colocar sua voz nas músicas? Porque é DJ e produtor!

Porque há artistas que não dão tudo e o produtor, melhor do que ninguém, conhece o seu próprio instrumrental e sabe bem onde o artista quer chegar com a música ou com a resultado final da música. Então, vem a necessidade de colocar a minha voz. Há vozes que só ficam bem na voz do produtor. Nas minhas músicas prefiro que seja eu a colocar os adoços, backgrown, so assim, sinto que a música está completa, por isso tenho colocado.

Obviamente é uma das coisas que o caracteriza.

Com certeza. Quando tu vens com algo teu as pessoas recebem de uma forma como se precisassem de algo assim. A diferença é tudo. Claro, acompanhado da criatividade. 

Faz sempre a questão de referir que “o segredo do sucesso é saber algo que ninguém mais sabe”. Que valores julga ter acrescentado à música angolana?

Dei o meu toque. Eu trouxe a harmonia que se precisava no Afro [em Angola]. Porque os produtores de há dez anos não colocavam voz no Afro, eu fui colocando voz, fui fazendo melodias, isso se tornou viral. Hoje em dia, eu tenho inspirado muito jovens. Tudo isso faz a diferença no estilo Afro.

Que outras qualidades artísticas esconde Vado Poster do público?
Cantar, compor, mistura e master final, isso, com certeza, o público não sabe. O público acha que Vado Poster é somente um produtor. Graças ao álbum o público vai poder saber mais sobre as minhas outras facetas.

Recentemente, lançou uma música nova, com Cleyton M, Malune e Ruth dos Piluka. A Carga sabe que o tema fará parte do seu primeiro disco. Fale-nos deste álbum.

Sim. É a música promocional. Intitula-se “Toque é Nice”. Estreiou a 15 de Dezembro, data do meu aniversario. Agora, estou a trabalhar no meu bebé, no meu primeiro álbum. Venho trabalhando neste álbum já tem dois anos. Só agora é que a gente está a promover as músicas, porque não está fácil encontrar um patrocinador. Uni forcas com a Cloe, em parceria com a Link Management, e estamos a fazer as coisas a acontecerem de um jeito calmo. A intenção é tirar este projecto ainda este ano.

Pertentece à geração vanguardistas do Afro House em Angola. Sente que já atingiu o nível que gostaria de estar neste preciso momento?

Ainda não me sinto satisfeito, ainda não atingi aquilo que eu quero. Na verdade, eu quero muito mais. Mais e mais, por isso é que eu tenho trabalhado muito e não paro. 

E onde acha que mereceria estar neste momento?
Eu quero é conquistar novos mercados, sei que as minhas músicas já tocam em outros países, mas eu não quero ficar por aí. Eu quero levar o que se faz em Angola a outros mercados, para que músicos de outros mercados possam cantar também aquilo que se faz em Angola. Trabalhar somente para manter cá, eu já fiz, mas não me sinto realizado. Eu quero levar mais e mais. Eu olho para o Khaled e digo, quero isso, olho para o Maphorisa e digo, eu quero isso.

Qual é o seu maior sonho?

Meu maior sonho é ser de big one de Angola. Olho para o Maphorisa, tiro um pouquinho, tiro um pouquinho do Khaled e junto para dar um biggest, o maior, capaz de fazer projectos e os projectos romperem fronteiras e barreiras. Este é o meu maior sonho. E eu sei que tenho tudo para conseguir e eu vou conseguir, porque eu tenho fé e acredito.




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